Vladímir Ilich Uliánov LENINE
Que fazer?
Problemas candentes do nosso
movimento
IV
O TRABALHO ARTESANAL DOS ECONOMISTAS E A ORGANIZAÇOM DOS REVOLUCIONÁRIOS
d) Envergadura do trabalho de organizaçom
Como vimos, B-v fala da «escassez de forças revolucionárias aptas para a acçom, escassez que se fai sentir nom só em Petersburgo, mas em toda a Rússia». Nom creio que haja alguém que poda pôr em dúvida este facto. Mas o problema consiste em como explicá-lo. B-v escreve:
«Nom vamos procurar esclarecer as razons históricas deste fenómeno; diremos somente que, desmoralizada por umha reacçom política prolongada e desarticulada por mudanças económicas que se processárom e ainda se processam, a sociedade promove um número extremamente reduzido de pessoas aptas para o trabalho revolucionário; que a classe operária, destacando revolucionários operários, completa em parte as fileiras das organizaçons clandestinas, mas que o número destes revolucionários nom responde às exigências da época. Tanto mais que o operário, ocupado onze horas e meia por dia na fábrica, nom pode, pola sua situaçom, desempenhar senom, principalmente, funçons de agitador, enquanto a propaganda e a organizaçom, a distribuiçom e reproduçom de literatura clandestina, a publicaçom de proclamaçons, etc., estám, na sua maior parte, quer se queira ou nom, a cargo de forças intelectuais extremamente reduzidas.» (R. Dielo, n.º 6, pp. 38-39.)
Nom estamos de acordo em muitos pontos com esta opiniom de B-v; e em particular nom estamos de acordo com as palavras sublinhadas por nós, as quais mostram, com singular relevo, que, depois de muito ter sofrido (como todo o militante prático que pense um pouco) por causa do nosso trabalho artesanal, B-v nom pudo encontrar, subjugado com está polo «economismo», umha saída para esta situaçom intolerável. Nom, a sociedade fornece um número extremamente grande de pessoas aptas para a «causa», mas nós nom as sabemos utilizar a todas. Neste sentido, o estado crítico, o estado de transiçom do nosso movimento, pode ser formulado assim: nom há homens e há umha infinidade de homens. Há umha infinidade de homens, porque tanto a classe operária como sectores cada vez mais variados da sociedade fornecem, todos os anos, um número sempre maior de descontentes, que querem protestar, que estám dispostos a cooperar, naquilo que puderem, na luita contra o absolutismo, cujo carácter insuportável, se nom é ainda notado por todos, é já sentido por massas cada vez mais extensas e cada vez de forma mais aguda. Mas, ao mesmo tempo, nom há homens, porque nom há dirigentes, nom há chefes políticos, nom há talentos organizadores capazes de organizar um trabalho simultaneamente amplo e unificado, coordenado, que permita utilizar todas as forças, mesmo as mais insignificantes. «O crescimento e o desenvolvimento das organizaçons revolucionárias» estám atrasados, nom só em relaçom com o crescimento do movimento operário, como reconhece também B-v, mas ainda em relaçom com o crescimento do movimento democrático geral em todos os sectores do povo. (Aliás, é provável que isto fosse hoje reconhecido por B-v, como complemento da sua conclusom.) A envergadura do trabalho revolucionário é demasiado reduzida quando comparada com a ampla base espontánea do movimento, está demasiado abafada pola pobre teoria da «luita económica contra os patrons e o governo». Mas entretanto hoje nom só os agitadores políticos, mas também os organizadores social-democratas tenhem de «ir a todas as classes da populaçom» 107. Nom creio que haja um único militante prático que duvide que os social-democratas podam repartir as mil funçons fragmentárias do seu trabalho de organizaçom entre os diferentes representantes das classes mais diversas. A falta de especializaçom é um dos mais graves defeitos da nossa técnica, que B-v deplora com tanta amargura e com tanta razom. Quanto mais pequenas forem as diversas «operaçons» do trabalho geral, tanto mais pessoas se poderám encontrar capazes de as executar (e completamente incapazes, na maioria dos casos, de serem revolucionários profissionais), tanto mais difícil será para a polícia «pescar» todos estes «militantes com funçons parcelares» e tanto mais difícil será montar, a partir da captura de umha pessoa por qualquer ninharia, um «processo» que justifique os gastos do Estado com a «segurança». E no que respeita ao número de pessoas dispostas a colaborar connosco, já dixemos no capítulo anterior qual foi a mudança gigantesca que se operou a esse respeito nos últimos cinco anos. Mas, por outro lado, também para agrupar num todo único todas estas pequenas fracçons, para nom fragmentar com as funçons do movimento o próprio movimento e para inspirar ao executante das pequenas funçons a fé na necessidade e no valor do seu trabalho, fé sem a qual nunca trabalhará 108, para tudo isto é necessária, precisamente, umha forte organizaçom de revolucionários experimentados. Com semelhante organizaçom, a fé na força do partido tornará-se tanto mais firme e tanto mais extensa quanto mais clandestina for a organizaçom. E na guerra, como se sabe, o mais importante nom é só inspirar confiança nas suas próprias forças ao exército próprio, mas também impressionar o inimigo e todos os elementos neutrais; umha neutralidade amistosa pode, às vezes, decidir a contenda. Com semelhante organizaçom, erigida sobre umha base teórica firme e contando com um órgao social-democrata, nom haverá que recear que o movimento seja desviado do seu caminho polos numerosos elementos «estranhos» que a ele tenham aderido (pelo contrário, precisamente agora, quando predomina o trabalho artesanal, vemos como muitos social-democratas, julgando-se os únicos, verdadeiros social-democratas, desviam o movimento para a linha do Credo). Numha palavra, a especializaçom pressupom, necessariamente, a centralizaçom, e, por sua vez, exige-a incondicionalmente.
Mas o próprio B-v, que tam bem mostrou toda a necessidade da especializaçom, nom a aprecia suficientemente, na nossa opiniom, na segunda parte do raciocínio citado. Segundo ele, o número de revolucionários procedentes dos meios opêrários é insuficiente. Esta observaçom é perfeitamente correcta, e sublinhamos, umha vez mais, que a «valiosa informaçom de um observador directo» confirma inteiramente a nossa opiniom sobre as causas da crise que a social-democracia atravessa actualmente e, portanto, sobre os processos de a remediar. Nom só os revolucionários em geral estám atrasados em relaçom com o ascenso espontáneo das massas, mas os próprios operários revolucionários estám em atraso em relaçom com o ascenso espontáneo das massas operárias. E este facto confirma do modo mais evidente, mesmo do ponto de vista «prático», nom só o absurdo mas também o carácter político reaccionário da «pedagogia» com que somos obsequiados com tanta freqüência quando se discutem os nossos deveres em relaçom com os operários. Este facto testemunha que a primeira e mais imperiosa das nossas obrigaçons é contribuir para a formaçom de operários revolucionários que, do ponto de vista da sua actividade no partido, estejam ao mesmo nível que os revolucionários intelectuais (sublinhamos: do ponto de vista da sua actividade no partido, porque, noutros aspectos nom é, longe disso, tam fácil nem tam urgente, embora necessário, que os operários atinjam o mesmo nível). Por isso, a nossa atençom deve voltar-se principalmente para elevar os operários ao nível dos revolucionários e nom para descermos nós próprios infalivelmente ao nível da «massa operária», como querem os «economistas», e infalivelmente ao nível do «operário médio» como quer o Svoboda (que, neste aspecto, passa ao segundo grau da «pedagogia» economista). Nada mais longe de mim do que a ideia de negar a necessidade de umha literatura popular para os operários e de outra literatura especialmente popular (mas nom vulgar, bem entendido) para os operários especialmente atrasados. Mas o que me indigna é essa constante mistura da pedagogia com as questons políticas, com as questons de organizaçom. Porque vocês, senhores campeons do «operário médio», no fundo o que fam é ofender os operáriós com esse seu desejo de se inclinarem sempre para eles antes de lhes falar de política operária ou de organizaçom operária. Ergam-se, portanto, para falar de cousas sérias, e deixem a pedagogia aos pedagogos, e nom aos políticos e organizadores! nom existirám também entre os intelectuais elementos avançados, elementos «médios» e «massas»? nom reconhecerá toda a gente a necessidade dumha literatura popular para os intelectuais? E nom se escreve essa literatura? Mas imaginade que, num artigo sobre a organizaçom dos estudantes universitários ou de secundária, o autor, num tom de quem fai umha descoberta, se pom a repisar que o que falta, antes de mais, é umha organizaçom de «estudantes médios». Tal autor seria, com certeza, e com toda a razom, posto a ridículo. Diriam-lhe: dê-nos você, se é que as tem, algumhas ideiazinhas sobre organizaçom, e nós próprios já veremos quem é «médio», superior ou inferior. Mas se nom tem ideias próprias sobre organizaçom todo o seu palavreado sobre a «massa» e sobre os «elementos médios» será simplesmente fastidioso. Compreenda, de umha vez para sempre, que as questons de «política» e de «organizaçom» som por si só tam sérias que nom se pode falar delas senom com extrema seriedade: pode-se e deve-se preparar os operários (assim como os estudantes, universitários e liceais) para poder abordar perante eles estas questons, mas, umha vez que fôrom abordadas, dê verdadeiras respostas, nom faga marcha atrás para os «elementos médios» ou para a «massa», nom escape com frases e anedotas 109.
Para se preparar plenamente para o seu trabalho, o operário revolucionário deve converter-se também num revolucionário profissional. É por isso que B-v nom tem razom quando di que por o operário estar ocupado onze horas e meia na fábrica, as outras funçons revolucionárias (salvo a agitaçom) «estám necessariamente a cargo de um número extremamente reduzido de intelectuais». Isto nom acontece «necesariamente», mas como conseqüência do nosso atraso, porque nom compreendemos que é nosso dever ajudar todo o operário que se distinga polas suas capacidades a tornar-se um agitador, organizador, propagandista, distribuidor, etc., etc., profissional. Neste aspecto, malbaratamos vergonhosamente as nossas forças, nom sabemos cuidar do que tem de ser cultivado e desenvolvido com particular solicitude. Vede os alemáns: tenhem cem vezes mais forças que nós, mas compreendem perfeitamente que os operários «médios» nom fornecem com demasiada freqüência agitadores, etc., verdadeiramente capazes. Por isso, procuram pôr imediatamente todo o operário capaz em condiçons que lhe permitam desenvolver plenamente, e aplicar plenamente as suas aptidons: fam dele um agitador profissional, encorajam-no a alargar o seu campo de acçom, a estendê-lo de umha fábrica a toda umha profissom, de umha localidade a todo o país. Assim, o operário adquire experiência e perícia profissional, alarga o seu horizonte e os seus conhecimentos, observa de perto os chefes políticos eminentes de outras localidades e de outros partidos, esforça-se por se elevar ele próprio ao nível deles e de reunir em si o conhecimento do meio operário e o vigor das convicçons socialistas com a competência profissional, sem a qual o proletariado nom pode travar umha luita tenaz contra inimigos perfeitamente adestrados. É assim, e só assim, que surgem da massa operária os Bebel e os Auer. Mas o que num país politicamente livre se fai em grande parte por si só, entre nós deve ser realizado sistematicamente polas nossas organizaçons. Todo o agitador operário que tenha algum talento, que «prometa», nom deve trabalhar onze horas na fábrica. Devemos arranjar maneira de ele viver por conta do partido, de ele poder passar à clandestinidade no momento preciso, de mudar de localidade, porque doutro modo nom adquirirá grande experiência, nom alargará o seu horizonte, nom se poderá manter sequer uns anos na luita contra os gendarmes. Quanto mais amplo e mais profundo for o ascenso espontáneo das massas operárias, tanto mais estas destacam nom só agitadores de talento mas também organizadores, propagandistas e militantes «práticos» de talento, «práticos» no melhor sentido da palavra (que som tam escassos entre os nossos intelectuais, na maior parte um pouco apáticos e descuidados à maneira russa). Quando tivermos destacamentos de operários revolucionários (e, bem entendido, revolucionários de «todas as armas») especialmente preparados por umha longa aprendizagem, nengumha polícia política do mundo poderá acabar com eles, porque esses destacamentos de homens consagrados de corpo e alma à revoluçom gozarám igualmente de umha confiança ilimitada das mais vastas massas operárias. E é umha grande falta nossa nom «empurrar» bastante os operários para este caminho que é comum a eles e aos «intelectuais», para o caminho da aprendizagem revolucionária profissional, puxando-os com demasiada freqüência para trás com os nossos estúpidos discursos sobre o que é «acessível» à massa operária, aos «operários médios», etc.
Neste aspecto, como nos demais, o reduzido alcance do trabalho de organizaçom está indiscutível e intimamente relacionado (embora a imensa maioria dos «economistas» e dos militantes práticos novatos o nom reconheçam) com a reduçom do alcance da nossa teoria e das nossas tarefas políticas. O culto da espontaneidade dá origem a umha espécie de receio de nos afastarmos, nem que seja um passo, do que é «acessível» às massas, um receio de subir demasiado alto, acima da simples satisfaçom das suas necessidades directas e imediatas. Nom tenham medo, senhores! Lembrem-se que em matéria qe organizaçom nos encontramos num nível tam baixo que até é absurda a própria ideia de podermos subir demasiado alto!
e) A organizaçom de «conjurados» e a «democracia»
E há entre nós muitas pessoas tam sensíveis à «voz da vida» que, acima de tudo, temem precisamente isto, acusando os que mantenhem as opinions atrás expostas de partilharem as ideias de «A Vontade do Povo», de nom compreender a «democracia», etc. Temos de nos deter nessas acusaçons que, como é natural, som também apoiadas pola Rabótcheie Dielo.
O autor destas linhas sabe muito bem que os «economistas» de Petersburgo já acusavam o Rabótchaia Gazeta de partilhar as ideias de «A Vontade do Povo» (o que é compreensível se a compararem ao Rab. Misl). Por isso nom ficamos nada surpreendidos quando, depois do aparecimento do Iskra, um camarada nos informou que os social-democratas da cidade X classificavam o Iskra como um órgao que partilha as ideias de «A Vontade do Povo». Naturalmente esta acusaçom era para nós um elógio, pois qual é o social-democrata digno desse nome a que os «economistas» nom tenham feito a mesma acusaçom?
Estas acusaçons devem-se a umha dupla confusom. Em primeiro lugar, a história do movimento revolucionário é tam mal conhecida entre nós que toda a ideia de umha organizaçom de combate centralizada que declara umha guerra decidida ao tsarismo é considerada como dentro do espírito de «A Vontade do Povo». Mas a magnífica organizaçom dos revolucionários da década de 70, que a todos nós devia servir de modelo, foi criada, nom polos partidários de «A Vontade do Povo», mas polos de «Terra e Liberdade» 110, que se cindírom em seguidores de «A Partilha Negra» e de «A Vontade do Povo». Por isso é absurdo, histórica e logicamente, ver numha organizaçom revolucionária de combate algumha cousa especificamente própria de «A Vontade do Povo», porque toda a tendência revolucionária, se pensa realmente numha luita séria, nom pode prescindir de semelhante organizaçom revolucionária. O erro dos partidários de «A Vontade do Povo» nom foi o de procurar integrar todos os descontentes na sua organizaçom e orientá-la para umha luita decidida contra a autocracia. Polo contrário, isto constitui o seu grande mérito histórico. E o seu erro consistiu em se ter baseado numha teoria que, na realidade, nom era de modo algum umha teoria revolucionária, e de nom ter sabido, ou nom ter podido, estabelecer umha ligaçom firme entre o seu movimento e a luita de classes no seio da sociedade capitalista em desenvolvimento. E só a mais grosseira incompreensom do marxismo (ou a sua «compreensom» no sentido do «struvismo») pudo levar à opiniom de que o aparecimento de um movimento operário espontáneo de massas nos exime da obrigaçom de criar umha organizaçom de revolucionários tam boa como a dos partidários de «Terra e Liberdade», ou até incomparavelmente melhor. Esse movimento, polo contrário, impom-nos precisamente esta obrigaçom, porque a luita espontánea do proletariado nom se transformará na sua verdadeira «luita de classe» enquanto nom for dirigida por umha forte organizaçom de revolucionários.
Em segundo lugar, muitos –e entre eles, polos vistos, E. Kritchévski (R. D., n.º 10, p. 18)– nom compreendem bem a polémica que os social-democratas sempre sustentárom contra a concepçom da luita política como umha luita «de conjurados». Protestamos e protestaremos sempre, evidentemente, contra a reduçom da luita política às dimensons de umha conjura 111, mas isto, claro está, nom significava de modo algum que negássemos a necessidade de umha firme organizaçom revolucionária. Assim, por exemplo, no folheto mencionado na nota encontra-se, ao lado da polémica contra aqueles que querem reduzir a luita política a umha conjura, o esquema de umha organizaçom (como ideal dos social-democratas) suficientemente forte para poder, «com o objectivo de assestar um golpe decisivo no absolutismo», recorrer tanto à «insurreiçom» como a qualquer «outra forma de ataque» 112. Pola sua forma, umha tal organizaçom revolucionária firme num país autocrático pode também ser chamada organizaçom «de conjurados», porque a palavra francesa «conspiraçom» equivale em russo a «conjura» e o carácter conspirativo é imprescindível, no mais elevado grau, a umha organizaçom deste tipo. O carácter conspirativo é de tal maneira condiçom imprescindível numha organizaçom deste género que todas as outras condiçons (número de membros, sua escolha, suas funçons, etc.) tenhem de estar de acordo com ela. Seria, por isso, de umha extrema candura recear que nos acusassem, aos social-democratas, de querer criar umha organizaçom de conjurados. Todo o inimigo do «economismo» deve orgulhar-se dessa acusaçom, bem como da acusaçom de partilhar as ideias de «A Vontade do Povo».
Objectarám-nos que umha organizaçom tam poderosa e tam rigorosamente secreta, que concentra nas suas maos todos os fios da actividade conspirativa, organizaçom necessariamente centralista, pode lançar-se com demasiada facilidade a um ataque prematuro, pode forçar irreflectidamente o movimento, antes que o tenham tornado possível e necessário a extensom do descontentamento político e a força da efervescência e da indignaçom da classe operária, etc. A isso responderemos que, falando em termos abstractos, nom se pode negar, evidentemente, que umha organizaçom de combate pode lançar-se numha batalha impensada que pode terminar numha derrota, que nom seria absolutamente inevitável noutras condiçons. Mas, num problema destes, é impossível limitarmo-nos a consideraçons abstractas, porque todo o combate implica umha possibilidade abstracta de derrota, e nom existe outro meio de diminuir essa possibilidade do que preparar organizadamente o combate. E se pugermos o problema no terreno concreto das condiçons actuais da Rússia, teremos de chegar a esta conclusom positiva: umha forte organizaçom revolucionária é absolutamente necessária precisamente para dar estabilidade ao movimento e preservá-lo da possibilidade de ataques irreflectidos. Precisamente agora, quando nos falta umha organizaçom deste género e o movimento revolucionário cresce espontánea e rapidamente, observam-se já dous extremos (que, como é lógico, «se tocam»): ou um «economismo» completamente inconsistente, acompanhado de prédicas de moderaçom, ou um «terror excitante» nom menos inconsistente, que tende a «produzir artificialmente, no movimento que se desenvolve e se consolida mas que ainda está mais perto do seu ponto de partida do que do seu fim, sintomas do seu fim» (V. Z., na Zariá, n.º 2-3, p. 353). E o exemplo da Rab. Dielo demonstra que já existem social-democratas que cedem perante estes dous extremos. Isto nada tem de surpreendente porque, abstraindo outras razons, «a luita económica contra os patrons e o governo» nunca satisfará um revolucionário, e aparecerám sempre, aqui ou acolá, extremos opostos. Só umha organizaçom combativa centralizada, que aplique com firmeza a política social-democrata e que satisfaga, por assim dizer, todos os instintos e aspiraçons revolucionárias, pode preservar o movimento de um ataque irreflectido e preparar um ataque que prometa êxito.
Objectarám-nos, também, que o ponto de vista exposto sobre a organizaçom contradi o «princípio democrático». Enquanto a acusaçom anterior é de origem especificamente russa, esta tem um carácter especificamente estrangeiro. E só umha organizaçom no estrangeiro («A Uniom dos social-democratas russos») pudo dar à sua redacçom, entre outras, a seguinte instruçom:
«Princípio de organizaçom. Para favorecer o desenvolvimento e a unificaçom da social-democracia, é preciso sublinhar, desenvolver, luitar por um amplo princípio democrático na sua organizaçom de partido, o que se tornou especialmente imprescindível dado o aparecimento de tendências antidemocráticas nas fileiras do nosso partido.» (Dous Congressos, p. 18.)
No capítulo seguinte veremos como precisamente a Rab. Dielo luita contra as tendências «antidemocráticas» do Iskra. Por agora, vejamos mais de perto o «princípio» proposto polos «economistas». Todos concordarám, provavelmente, que o «amplo princípio democrático» implica duas condiçons imprescindíveis: em primeiro lugar, umha publicidade completa, e, em segundo lugar, o carácter electivo de todos os cargos. Sem publicidade seria ridículo falar de democracia, e além disso sem umha publicidade que nom fique limitada aos membros da organizaçom. Chamaremos democrática à organizaçom do partido socialista alemám porque nele tudo se fai publicamente, mesmo as sessons dos seus congressos; mas ninguém classificará de democrática umha organizaçom que se oculte de todos os que nom sejam seus membros atrás do véu do segredo. Portanto, que sentido tem propor um «amplo princípio democrático», quando a condiçom fundamental deste princípio é irrealizável por umha organizaçom secreta? O «amplo princípio» mais nom é do que umha mera frase, sonora mas oca. Mais ainda. Esta frase demonstra umha total incompreensom das tarefas urgentes do momento em matéria de organizaçom. Todos sabem até que ponto está espalhada entre nós, na «grande» massa de revolucionários, a falta de secretismo. Já vimos como B-v se queixa disto amargamente, exigindo, com toda a razom, «uma severa selecçom dos filiados» (R. D., n.º 6, p. 42). E eis que imediatamente surgem pessoas que se ufanam do seu «sentido da vida» e, numha situaçom destas, sublinham, nom a necessidade do mais severo secretismo e da mais severa (e, por conseqüência, mais restrita) selecçom de filiados, mas um «amplo princípio democrático»!. A isto chama-se dar na ferradura em vez de dar no cravo.
Nom se passam melhor as cousas em relaçom à segunda característica da democracia: o carácter electivo. Nos países que gozam de liberdade política, esta condiçom subentende-se por si própria. «Considera-se membro do partido todo aquele que aceite os princípios do seu programa e ajuda o partido na medida das suas forças», di o artigo primeiro dos Estatutos de organizaçom do Partido Social-Democrata Alemám. E como toda a arena política está completamente descoberta para todos, como a cena para os espectadores de um teatro, o que se aceita ou nom se aceita, se se presta apoio ou nom, som cousas sabidas por todos através dos jornais e das reunions públicas. Toda a gente sabe que determinado político começou desta ou daquela maneira, seguiu esta ou aquela evoluçom, tivo este ou aquele comportamento num momento difícil da sua vida, se distingue, em geral, por estas ou aquelas qualidades: portanto, é natural que todos os membros do partido podam, com conhecimento de causa, eleger ou nom este ou aquele dirigente para um determinado cargo do partido. O controlo geral (no sentido literal do termo) de cada passo do membro do partido ao longo da sua carreira política cria um mecanismo de acçom automática, cujo resultado é aquilo que em biologia se chama a «sobrevivência do mais apto». A «selecçom natural», produto da completa publicidade, do carácter electivo e do controlo geral, assegura que, ao fim e ao cabo, cada figura política ocupe «o seu lugar», se encarregue do trabalho mais adequado às suas forças e às suas aptidons, sofra, ele próprio, as conseqüências dos seus erros, e demonstre aos olhos de todos a sua capacidade para reconhecer as suas faltas e evitá-las.
Mas tentade encaixar este quadro na moldura da nossa autocracia! Será por acaso concebível entre nós que «todo aquele que aceita os princípios do programa do partido e ajuda o partido na medida das suas forças» controle todos os passos dados polos revolucionários clandestinos? Que todos elejam umha ou outra pessoa entre estes últimos, quando, no interesse do seu trabalho, o revolucionário é obrigado a ocultar a sua verdadeira personalidade a nove décimos destes «todos»? Reflectide, nem que seja só um momento, acerca do verdadeiro sentido das sonoras palavras da Rab. Dielo e vereis que umha «ampla democracia» de umha organizaçom de partido, nas trevas da autocracia, quando som os gendarmes quem selecciona, nom é mais do que um brinquedo inútil e prejudicial. É um brinquedo inútil porque, na prática, nunca nengumha organizaçom revolucionária pudo apliclar umha ampla democracia, nem a pode aplicar por mais que o deseje. É um brinquedo prejudicial porque as tentativas para aplicar, na prática, um «amplo princípio democrático» só tornam mais fácil à polícia lançar as grandes vagas de prisons e perpetuam o trabalho artesanal imperante, distraindo o pensamento dos militantes práticos da séria e imperiosa tarefa de se forjarem como revolucionários profissionais, desviando-o para a redacçom de pormenorizados estatutos «no papel» sobre sistemas eleitorais. Só no estrangeiro, onde freqüentemente se reúnem homens que nom tenhem possibilidades de encontrar um trabalho real e verdadeiro, se pudo desenvolver aqui e ali, sobretudo em pequenos grupos, esta mania de «brincar à democracia».
Para mostrar ao leitor como é indigna a maneira como a Rab. Dielo gosta de preconizar um «princípio» tam nobre como a democracia no trabalho revolucionário, vamos, umha vez mais, recorrer a umha testemunha. Trata-se de E. Serebriakov, director da revista de Londres Nakanúne, que sente um fraco pola Rab. Dielo e umha grande aversom por Plekhánov e polos «plekhanovistas»: nos artigos sobre a cisom da «Uniom dos Social-democratas Russos» no estrangeiro, a Nakanúne pujo-se decididamente ao lado da R. Dielo e atirou com umha verdadeira nuvem de palavras mesquinhas sobre Plekhánov. Por isso tanto mais valor tem para nós esta testemunha sobre este problema. No artigo intitulado «Sobre o Apelo do «Grupo de Auto-emancipaçom dos Operários»» no n.º 7 da Nakanúne (Julho de 1899), E. Serebriakov dizia que era «indecente» levantar a questom «de prestígio, de primazia, do que se chama o aerópago, num movimento revolucionário sério» e dizia, entre outras cousas, o seguinte:
«Míchkine, Rogatchov, Jeliábov, Mikháilov, Peróvskaia, Fígner e outros nunca se considerárom dirigentes e ninguém os tinha eleito nem nomeado, embora na realidade o fossem, porque tanto em período da propaganda como em período da luita contra o governo se encarregárom do trabalho mais difícil, fôrom aos locais mais perigosos e a sua actividade foi a mais frutuosa. E a primazia nom resultava dos seus desejos, mas da confiança que os camaradas que os rodeavam tinham na sua inteligência, na sua energia e na sua lealdade. E temer um areópago (e se nom se o teme nom há motivo para se falar dele) que pode dirigir o movimento autoritariamente, é já demasiada candura. Quem o obedeceria?»
Perguntamos ao leitor: Que diferença existe entre um «areópago» e as «tendências antidemocráticas»? nom é evidente que o «plausível» princípio de organizaçom da R. Dielo é tam cándido como indecente? Cándido, simplesmente porque ninguém obedecerá um «areópago» ou pessoas de tendências antidemocráticas, sempre que «os camaradas que os rodeiam nom tenham confiança na sua inteligência, na sua energia e na sua lealdade». Indecente, como saída demagógica em que se especula com a vaidade de uns, com a ignoráncia de outros sobre o verdadeiro estado do nosso movimento e com a falta de preparaçom e o desconhecimento da história do movimento revolucionário de ainda outros. O único princípio de organizaçom sério a que se devem subordinar os dirigentes do nosso movimento deve ser: o mais severo secretismo, amais severa selecçom dos filiados, e a preparaçom de revolucionários profissionais. Estando reunidas estas qualidades, estará assegurada umha cousa mais importante do que a «democracia», a saber: a plena e fraternal confiança mútua entre os revolucionários. É indiscutível que necessitamos desta cousa mais importante porque entre nós, na Rússia, nom se pode falar em substituí-la por um controlo democrático geral. E cometeríamos um grande erro se julgássemos que a impossibilidade de um controlo verdadeiramente «democrático» torna incontrolados os membros de umha organizaçom revolucionária: nom tenhem tempo para pensar nas formas pueris de democracia (democracia no seio de um grupo restrito de camaradas entre os quais reina plena confiança mútua), mas sentem muito vivamente a sua responsabilidade sabendo, além disso, por experiência, que umha organizaçom de verdadeiros revolucionários nom recuará perante nengum meio para se desembaraçar de um membro indigno. Além disso, está bastante difundida entre nós umha opiniom pública dos meios revolucionários russos (e internacionais) que tem atrás de si umha longa história e que castiga com implacável rigor qualquer falta aos deveres de camaradagem (e a «democracia», a verdadeira, nom a democracia pueril, está compreendida, como a parte no todo, neste conceito de camaradagem!). Tende tudo isto em conta e compreenderedes que repugnante cheiro a brincadeiras no estrangeiro aos generais exalam todos estes falatórios e resoluçons sobre «tendências antidemocráticas»!.
Há que observar, além disso, que a outra fonte destes falatórios, isto é, a andura, se alimenta também da confusom de ideias acerca do que é a democracia. No livro do casal Webb sobre as trade-unions inglesas há um capítulo curioso: «A democracia primitiva». Dizem os autores, neste capítulo, como os operários ingleses, no primeiro período de existência dos seus sindicatos, consideravam como característica imprescindível da democracia que todos figessem de tudo na direcçom dos sindicatos: nom só todos os problemas eram decididos por votaçom de todos os membros, mas também os cargos eram desempenhados, sucessivamente, por todos os filiados. Foi necessária umha longa experiência histórica para que os operários compreendessem o absurdo de tal concepçom de democracia e a necessidade, por um lado, de existirem instituiçons representativas e, por outro, a necessidade de funcionários profissionais. Fôrom necessários alguns casos de falência de caixas sindicais para fazer compreender aos operários que a relaçom proporcional entre as quotizaçons que pagavam e os subsídios que recebiam nom podia ser decidida só por votaçom democrática, mas que exigia, além disso, o conselho de um perito de seguros. Lede, também, o livro de Kautsky sobre o parlamentarismo e a legislaçom popular e veredes que as conclusons deste teórico marxista coincidem com os ensinamentos dados por longos anos de prática dos operários unidos «espontaneamente». Kautsky protesta energicamente contra a concepçom primitiva da democracia de Rittinghausen, ridiculariza as pessoas sempre prontas a exigir, em nome dessa democracia, que os «jornais populares sejam redigidos directamente polo povo», prova a necessidade de jornalistas, de parlamentares, profissionais, etc., para dirigir de modo social-democrata a luita de classe do proletariado, ataca o «socialismo de anarquistas e de literatos» que, «procurando o efeito», exaltam a legislaçom directa por todo o povo e nom compreendem até que ponto é apenas relativa a sua aplicaçom na sociedade contemporánea.
Todo aquele que tenha trabalhado de maneira prática no nosso movimento sabe como a concepçom «primitiva» da democracia se encontra espalhada entre a juventude estudantil e os operários. Nom é de estranhar que esta concepçom penetre tanto nos estatutos como na literatura. Os «economistas» de tipo bernsteiniano escreviam nos seus estatutos: «§ 10. Todos os assuntos que afectam os interesses de toda a organizaçom sindical serám decididos por maioria dos votos de todos os seus membros.» Os «economistas» de tipo terrorista repetem atrás deles: «É imprescindível que as decisons do comité tenham passado por todos os círculos antes de se tornarem decisons efectivas» (Svoboda, n.º 1, p. 67). Notade que esta exigência de aplicaçom ampla do referendo é posta além de se exigir que toda a organizaçom tenha como base o princípio electivo! Nada está mais longe de nós, bem entendido, do que a ideia de censurar por isso os militantes práticos, que tivérom muito pouca possibilidade de conhecer a teoria e a prática das organizaçons efectivamente democráticas. Mas, quando a Rab. Dielo, que pretende ter um papel dirigente, se limita, em tais condiçons, a umha resoluçom sobre um amplo princípio democrático, será isso mais do que «procurar» simplesmente o «efeito»?
[107] Entre os militares, por exemplo, observa-se ultimamente umha indubitável reanimaçom do espírito democrático, em parte como conseqüência dos combates de rua, cada vez mais freqüentes, com «inimigos» como os operários e os estudantes. E, desde que as nossas forças o permitam, devemos prestar sem falta a mais séria atençom à propaganda e à agitaçom entre os soldados e os oficiais, à criaçom de «organizaçons militares» filiadas no nosso partido.
[108] Lembro-me como um camarada me contou umha vez que um inspector de fábrica, que queria ajudar a social-democracia e a tinha ajudado, se queixava amargamente, dizendo que nom sabia se as suas «informaçons» chegavam até um verdadeiro centro revolucionário, nom sabia até que ponto a sua colaboraçom era necessária, nem até que ponto era possível utilizar os seus pequenos e miúdos serviços. Todo o militante prático poderia citar, naturalmente, muitos casos semelhantes, em que o nosso trabalho artesanal nos fijo perder aliados. E os empregados e os funcionários poderiam prestar-nos e prestariam-nos «pequenos» serviços que no conjunto seriam de um valor inestimável, nom só nas fábricas, mas nos correios, nos caminhos-de-ferro, nas alfándegas, entre a nobreza, o clero e em todas as outras instituiçons, mesmo na polícia e até na corte! Se já contássemos com um verdadeiro partido, com umha organizaçom verdadeiramente combativa de revolucionários, nom nos precipitaríamos a expor todos esses «auxiliares», nom teríamos pressa em os levar sempre e necessariamente para o próprio coraçom da acçom «clandestina»; trataríamo-los muito cuidadosamente e, polo contrário, prepararíamos mesmo pessoas para essas funçons, recordando que muitos estudantes poderiam ser muito mais úteis ao partido como funcionários «auxiliares» do que como revolucionários «a curto prazo». Mas, volto a repeti-lo, só umha organizaçom já perfeitamente sólida a que nom faltam forças activas tem o direito de aplicar esta táctica.
[109] Svoboda, n.º 1, artigo A Organizaçom (p. 66): «A massa operária apoiará com todo o seu peso todas as reivindicaçons que forem formuladas em nome do Trabalho da Rússia.» (Nom podia deixar de ser! Trabalho com maiúscula!) E o mesmo autor exclama: «Nom sinto nengumha hostilidade polos intelectuais, mas»... (é este o mas que Chtchedrine traduziu polo ditado: as orelhas nom crescem mais alto do que a testa!)... «mas fico terrivelmente furioso quando umha pessoa me vem dizer umha série de cousas muito boas e muito bonitas, e exige que as aceitem pola sua (dele?) beleza e outros méritos» (p. 62). Sim, também eu «fico terrivelmente furioso ...».
[110] «Terra e Liberdade» («Zemliá i Vólia»): organizaçom secreta dos populistas revolucionários, fundada em Petersburgo no Outono de 1876.
Os zemlevoltsi (membros da «Terra e Liberdade»), considerando os camponeses a força revolucionária fundamental da Rússia, procurárom sublevá-los contra o tsarismo; realizárom um trabalho revolucionário em diversas províncias da Rússia: Tambov, Vorónej e outras. (N. Ed.)
Devido ao fracasso do trabalho revolucionário entre os camponeses e à violência da repressom governamental, surgiu em 1879, no seio da «Zemliá i Vólia», umha fracçom que renunciou à propaganda revolucionária entre os camponeses e consideravam que o principal meio de luita contra o tsarismo era o terror contra os membros do governo tsarista. No congresso realizado naquele ano em Vorónej, a «Zemliá i Vólia» cindiu-se em duas organizaçons: «Naródnaia Vólia (“A Vontade do Povo»), que se lançou na via do terror, e «Tchómi Peredel» («A Partilha Negra»), que permaneceu nas posiçons da «Zemliá i Vólia». Mais tarde, umha parte dos partidários de «A Partilha Negra» –Plekhánov, Axelrod, Zassúlitch, Deutsch, Ignátov– passárom às posiçons do marxismo e, em 1883, no estrangeiro, criárom a primeira organizaçom russa marxista, o grupo «Osvobojdénie Truda» («Emancipaçom do Trabalho»). (N. Ed.)
[111] Ver As Tarefas dos Social-democratas Russos, a polémica com P. L. Lavrov. (N. Ed.)
[112] Ver As Tarefas dos Social-democratas Russos (N. Ed.). Eis aqui mais um exemplo de que a «Rab. Dielo» ou nom compreende o que di ou muda de opiniom segundo «o vento que sopra». No n.º 1 da R. Dielo di-se em itálico: «A essência da brochura que acabamos de expor coincide plenamente com o programa da redacçom da «Rabótcheie Dielo»» (p. 142). Será verdade? A ideia de que nom se pode pôr ao movimento de massas como primeira tarefa a do derrubamento da autocracia coincide com As Tarefas? A teoria da «luita económica contra os patrons e o governo» também coincide? E a teoria dos estádios também? Que o leitor julgue acerca da firmeza de princípios de um órgao que compreende a «coincidência» de maneira tam original.